Toy, uma das vozes mais reconhecidas e acarinhadas da música popular portuguesa, voltou a falar sobre um dos episódios mais delicados da sua vida. Aos 63 anos, o cantor mantém uma carreira intensa, entre concertos, festas, romarias, televisão e inúmeros compromissos profissionais, mas houve um momento em que o próprio corpo o obrigou a parar.
Durante a participação no programa “Alta Definição”, da SIC, apresentado por Daniel Oliveira, Toy abriu o coração sobre um AVC que sofreu em 2010 e revelou detalhes daquele dia que, durante anos, preferiu encarar com o habitual sentido de humor.
O episódio aconteceu de forma inesperada, enquanto o cantor se encontrava num restaurante em Setúbal.
Toy contou que, de repente, começou a sentir uma sensação estranha. Pouco depois, percebeu que algo estava seriamente errado: começou a ver tudo a dobrar.
“Estava num restaurante em Setúbal e deu-me uma sensação estranha (…) Fechei os olhos e quando abri estava a ver tudo a dobrar”, recordou.
A alteração da visão assustou-o, mas, mesmo perante uma situação potencialmente grave, Toy admite que não percebeu imediatamente a dimensão do que estava a acontecer.
“Eu nunca me levei a sério e nunca levei a sério um AVC que tive gravíssimo”, confessou.
O cantor recordou também o momento em que saiu do restaurante e foi observado por um bombeiro, que verificou a sua tensão arterial.
Perante os sintomas, chegou a ouvir uma explicação que poderia ter feito com que a situação fosse desvalorizada.
“Se calhar foi só sol que apanhou”, terá dito o bombeiro.
Toy, porém, percebeu que algo não estava bem e respondeu imediatamente, mantendo o seu característico sentido de humor.
“Sol tens tu na moleirinha. Leva-me para o hospital que eu não estou bem”, recordou, entre risos.
Apesar da brincadeira, a situação era séria. Toy acabou por ser encaminhado para o hospital, onde iniciou uma série de exames para perceber o que estava a acontecer.
O cantor contou que lhe foram administrados comprimidos para adormecer enquanto era submetido aos testes médicos.
Quando acordou, porém, o problema de visão permanecia.
“Estou a ver tudo a dobrar”, recordou.
Ao espreitar para o quarto, chegou a ver várias camas, resultado da alteração visual provocada pelo episódio.
Foi então que voltou a fazer aquilo que melhor sabe fazer: transformar até um momento assustador numa história contada com humor.
“Olho para cima e digo: ‘Grande sorte’.”
A enfermeira ficou surpreendida com a reação.
“Sorte?”, perguntou-lhe.
Foi então que Toy explicou a razão da frase, sempre com o seu conhecido sentido de humor:
“Não é isso, é que você é gira e eu estou a ver duas.”
A história arrancou certamente alguns sorrisos, mas por trás do episódio existe uma realidade muito mais séria.
Toy revelou que aquele AVC foi grave e que os médicos acabaram por lhe deixar um aviso claro sobre o ritmo de vida que estava a levar.
Segundo o cantor, foi-lhe transmitido que não poderia continuar a trabalhar e a viver naquele ritmo porque o seu organismo poderia não aguentar.
“Não podia continuar àquele ritmo, porque senão não iria aguentar”, recordou.
A frase representa um dos momentos mais importantes da sua vida, sobretudo para alguém habituado a uma agenda profissional intensa.
Toy sempre foi conhecido pela energia, pelo sentido de humor e pela presença constante junto do público. Os concertos e espetáculos fazem parte da sua vida há décadas e o contacto com os fãs tornou-se uma das características mais marcantes da sua carreira.
Mas o episódio de 2010 obrigou-o a olhar para a própria saúde de uma forma diferente.
Durante a entrevista, o cantor reconheceu que, naquela altura, não tinha a mesma perceção do perigo que hoje consegue ter.
A sua personalidade descontraída ajudou-o a enfrentar o momento, mas também fez com que inicialmente não levasse a sério os sinais que o corpo estava a dar.
A alteração repentina da visão acabou por ser o alerta que não podia ignorar.

Toy recorda hoje o episódio com uma mistura muito particular de humor e consciência. Consegue rir-se da situação da enfermeira e das duas imagens que via, mas sabe perfeitamente que aquele momento poderia ter tido consequências muito diferentes.
O cantor continua atualmente ligado à música e mantém a presença que o tornou conhecido de várias gerações de portugueses.
A sua participação no “Alta Definição” permitiu, no entanto, conhecer uma dimensão menos visível do artista: a do homem que também passou por momentos de fragilidade e que teve de aceitar que não era invencível.
A história do AVC tornou-se assim uma das revelações mais marcantes da entrevista.
Por detrás do artista que sobe ao palco, brinca com o público e mantém uma energia contagiante, existe alguém que já enfrentou um sério problema de saúde e que aprendeu, da forma mais difícil, que também é necessário saber parar.
O episódio aconteceu há vários anos, mas as memórias continuam muito presentes.
A imagem de Toy a sair de um restaurante, a ver tudo duplicado e ainda a conseguir fazer uma piada sobre a enfermeira resume bem a personalidade que o público conhece.
Mas também deixa uma mensagem importante.
Os sinais do corpo não devem ser ignorados, mesmo quando parecem estranhos ou passageiros.
Toy teve a sorte de perceber que precisava de ajuda e insistiu em ir para o hospital.
Hoje, muitos anos depois daquele episódio, consegue contar a história com humor, mas também com a consciência de que foi um dos momentos mais sérios que viveu.
Aos 63 anos, continua a cantar, a atuar e a levar alegria aos portugueses. Mas aquela experiência deixou-lhe uma lição que dificilmente esquecerá: por mais intensa que seja a paixão pela profissão, há momentos em que a saúde tem de vir primeiro.
E Toy, com o humor que sempre o acompanhou, transformou uma das experiências mais assustadoras da sua vida numa história que hoje consegue contar com um sorriso — sem esquecer a gravidade do que realmente aconteceu.


