Caso das gémeas brasileiras tratadas em Lisboa levanta polémica e envolve Marcelo Rebelo de Sousa

Um caso ocorrido em 2019 voltou a ganhar destaque em Portugal depois de uma investigação jornalística da TVI levantar questões sobre a eventual intervenção do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no processo de tratamento de duas bebés brasileiras no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.
Segundo a reportagem, duas gémeas oriundas do Brasil terão sido admitidas no Hospital de Santa Maria para receber um tratamento médico altamente especializado, cujo custo terá rondado os quatro milhões de euros. O caso remonta ao final de 2019 e envolve um processo clínico e administrativo complexo, que agora está novamente sob escrutínio público.
De acordo com testemunhos divulgados, as crianças teriam conseguido acesso ao tratamento em Portugal após um processo de naturalização portuguesa, permitindo a sua entrada no sistema de saúde nacional. A mãe das crianças, ouvida pela TVI, confirmou que as bebés viajaram para Lisboa ainda em 2019 para receber cuidados médicos no hospital público.

A polémica intensificou-se com alegações de que familiares próximos do Presidente da República, nomeadamente o seu filho e a sua nora, poderão ter tido algum tipo de contacto ou intervenção indireta relacionada com o processo de acesso ao tratamento. Estas alegações, no entanto, não foram confirmadas oficialmente.
A investigação televisiva refere ainda que existe a convicção, por parte de alguns profissionais de saúde do Hospital de Santa Maria, de que o caso poderá ter sido influenciado por contactos externos. Segundo a mesma reportagem, terá desaparecido uma carta de contestação elaborada por médicos, bem como documentação interna relativa à admissão das crianças, o que levantou ainda mais dúvidas e levou à abertura de uma auditoria interna.
Perante a polémica, Marcelo Rebelo de Sousa negou qualquer tipo de intervenção direta no processo e afirmou não se recordar de ter tido envolvimento no caso. “Francamente não me lembro”, declarou o Presidente, acrescentando que não teve qualquer influência no tratamento das crianças em Portugal.

O caso continua a gerar debate público e político, com pedidos de esclarecimento adicionais e com a investigação em curso a tentar apurar com rigor todos os procedimentos que levaram à autorização e realização do tratamento no sistema hospitalar português.


