Em entrevista emocionada no podcast “Vencidos”, da RTP1, Tony Carreira falou sobre a dor imensurável que sentiu apĂłs a morte da filha Sara, vĂtima de um trágico acidente de viação em 2020, aos 21 anos. O cantor de 62 anos revelou que enfrentou dois caminhos possĂveis naquele momento de luto: deixar-se consumir pela amargura ou encontrar forças para cuidar de si prĂłprio e dos filhos que ficaram, Mickael e David Carreira.

“Não me passava pela cabeça acabar com a minha vida”, confessou, sublinhando a responsabilidade que sentia como pai. Tony explicou que a perda fez-o refletir sobre o sentido da vida e sobre a importância de valorizar cada momento, afastando-se da amargura e da revolta que poderiam dominá-lo. Recebeu apoio de várias pessoas de Portugal inteiro, o que lhe deu forças para seguir em frente.
O artista destacou que, embora ninguém pudesse reparar o que aconteceu, ele considera o universo como único responsável pela tragédia, uma forma de aceitar o acontecido sem culpar terceiros. Para Tony, falar da filha tornou-se uma ferramenta essencial para lidar com a dor: “Falo da minha filha todos os dias, com alegria, porque quero que as pessoas me ouçam falar dela. Eu preciso de falar dela”.

ApĂłs a perda, o cantor fez uma sessĂŁo de uma hora com uma psicĂłloga para perceber como poderia continuar a viver e a cuidar da famĂlia sem sucumbir ao sofrimento. “Foi a maior das lições para perceber que nĂŁo somos absolutamente nada e que nĂŁo vale a pena andar aĂ com vaidades. Cheguei Ă conclusĂŁo de que preciso continuar a andar cá”, revelou.
Tony Carreira descreveu a vida pós-Sara como um desafio diário, mas necessário para honrar a memória da filha e manter-se presente na vida dos restantes filhos. O cantor destacou que o sofrimento, embora intenso, serviu também para lhe ensinar a viver com mais humildade e gratidão.
Em suma, Tony partilhou que a dor da perda é eterna, mas que encontrou formas de transformar o sofrimento em força: continuar a falar da filha, celebrar a sua memória e cuidar dos filhos que ficaram. Uma reflexão profunda sobre a vida, a perda e o amor que nunca acaba.


