A atriz Estrela Novais morreu em Lisboa aos 70 anos, poucos dias antes de completar 71 anos. A notícia foi confirmada à agência Lusa por Jorge Castro Guedes, diretor artístico da Seiva Trupe, companhia de teatro portuense da qual a atriz foi uma das fundadoras.

A morte da artista gerou grande emoção entre colegas e amigos do meio teatral. Júlio Cardoso, antigo diretor e um dos fundadores da Seiva Trupe, juntamente com António Reis e Estrela Novais, lamentou a perda, descrevendo-a como uma “grande atriz” e uma enorme perda para o teatro português.
Júlio Cardoso revelou ter recebido a notícia com surpresa e emoção, afirmando que desconhecia a existência de problemas de saúde da atriz. Recordou que tinha falado com Estrela Novais cerca de dois meses antes e que não tinha percebido que estivesse doente.
Nascida no Porto a 13 de março de 1953, Estrela Novais iniciou muito cedo o seu percurso artístico. A sua estreia profissional aconteceu em 1970, com a peça “Bodas de Sangue”, de Federico García Lorca, numa encenação de Carlos Cabral para o Teatro Experimental do Porto.
Em 1973, participou na fundação da Seiva Trupe, uma companhia que se tornou uma referência no teatro português. Ao longo da carreira, destacou-se pela entrega em palco e pela versatilidade, sendo reconhecida por vários profissionais como uma intérprete de grande talento.
Entre 1979 e 1982, Estrela Novais foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian e frequentou em Roma o curso de encenação da Academia Silvio d’Amico. Durante esse período, teve contacto e formação com importantes nomes do teatro internacional, como Orazio Costa, Giorgio Strehler, Ronconi e Dario Fo.
Além do teatro, a atriz participou também em várias séries e novelas portuguesas, aproximando-se de diferentes públicos através da televisão. Ao longo da carreira recebeu distinções, incluindo o prémio de Melhor Atriz de Teatro em 1984, atribuído pela revista Mulheres, e Melhor Atriz de Cinema em 1986, pela revista Nova Gente.
A partida de Estrela Novais representa uma perda significativa para a cultura portuguesa. O seu percurso, marcado pela dedicação ao teatro, cinema e televisão, deixa uma obra reconhecida e uma memória duradoura entre colegas, artistas e espectadores que acompanharam o seu trabalho ao longo de mais de cinco décadas.


