Reveladas as últimas palavras de Carlos Castro e a confissão de Renato Seabra: os detalhes mais perturbadores do crime que chocou Portugal

Reveladas as últimas palavras de Carlos Castro e a confissão de Renato Seabra: os detalhes mais perturbadores do crime que chocou Portugal

 

O caso que envolveu Carlos Castro e Renato Seabra continua a despertar enorme interesse em Portugal, mais de uma década depois da tragédia que aconteceu num hotel de Nova Iorque. Agora, um episódio da série “Portugal Criminal”, da SIC, recuperou novos detalhes sobre aquela noite e revelou elementos da confissão prestada por Renato Seabra logo depois do crime.

Tudo aconteceu a 7 de janeiro de 2011, no quarto 3416 do Hotel Intercontinental, em Nova Iorque. Carlos Castro, conhecido cronista e figura do meio social português, encontrava-se no quarto com Renato Seabra, então com apenas 21 anos.

Segundo os elementos apresentados no programa da SIC, os dois mantinham uma relação íntima, mas naquela noite surgiu uma discussão que acabaria por ter consequências fatais.

O inspetor Rick Tirelli, citado no episódio, recordou aquilo que Renato Seabra terá contado às autoridades imediatamente após o crime.

De acordo com o testemunho apresentado, o jovem afirmou que nunca tinha tido uma discussão com Carlos Castro daquela dimensão antes daquele momento. Porém, durante aquela noite, terá começado a questionar profundamente a própria identidade e a relação que mantinha com o cronista.

Segundo a confissão reproduzida no programa, Renato queria regressar a casa e os dois começaram a discutir.

Foi então que a situação se tornou violenta.

De acordo com o relato do inspetor, Renato aproximou-se de Carlos Castro por trás e agarrou-o pelo pescoço. O ataque acabou por derrubar violentamente o cronista.

Foi nesse momento que Carlos Castro terá proferido as últimas palavras que lhe são atribuídas antes de morrer:

“Partiste-me o braço, partiste-me o braço.”

A partir daí, segundo a confissão apresentada no programa, a violência aumentou de forma extrema.

Renato terá recorrido a um saca-rolhas e atacado repetidamente Carlos Castro. O relato apresentado pela SIC descreve ainda outros atos de violência e tortura praticados durante o episódio.

Segundo o inspetor Rick Tirelli, o próprio Renato afirmou que todo o episódio terá durado aproximadamente uma hora ou uma hora e meia.

Depois do ataque, o jovem terá ainda tentado ferir-se nos pulsos, mas as lesões não foram suficientemente profundas para provocar a sua morte.

O comportamento que se seguiu também chamou a atenção das autoridades. Depois de toda a violência, Renato tomou um duche, vestiu-se cuidadosamente e colocou um fato preto com uma gravata roxa.

Pegou no casaco cinzento e abandonou o hotel.

Para o inspetor que participou na investigação, o cenário encontrado no quarto era particularmente perturbador.

Rick Tirelli descreveu o local do crime como “horrível”, destacando a violência extrema dos acontecimentos.

Na confissão apresentada no programa, Renato terá explicado os seus atos através de um conflito interno relacionado com a sua sexualidade e com aquilo que descrevia como “demónios” dentro de si.

Segundo o relato do inspetor, Renato acreditava que aquela seria a forma de se libertar desses conflitos.

As declarações acabaram por constituir uma das peças importantes para compreender o que aconteceu naquela noite, embora o crime tenha sido posteriormente analisado em tribunal e tenha dado origem a um longo processo judicial nos Estados Unidos.

Em dezembro de 2012, Renato Seabra foi condenado nos Estados Unidos a uma pena de 25 anos a prisão perpétua pela morte de Carlos Castro.

Desde então, permanece privado de liberdade.

Passados 15 anos sobre a detenção, voltou a surgir interesse sobre a possibilidade de uma futura liberdade condicional. Segundo as informações apresentadas pela série da SIC, a primeira audiência para esse efeito está prevista para setembro de 2035.

Caso venha a ser concedida, Renato poderá sair em liberdade a partir de 3 de janeiro de 2036, altura em que terá cumprido a pena mínima de 25 anos.

No entanto, a possibilidade de liberdade condicional não significa que a libertação esteja garantida. Os pedidos podem ser recusados e a pena pode continuar a ser cumprida durante o resto da vida.

Mais de uma década depois do crime, a história continua a impressionar pela violência dos acontecimentos e pelo contraste entre a vida pública de Carlos Castro e a juventude de Renato Seabra.

A revelação das últimas palavras atribuídas ao cronista acrescenta agora uma dimensão ainda mais perturbadora ao caso: aquelas terão sido as últimas palavras pronunciadas por Carlos Castro numa noite que terminaria com a sua morte e que ficaria para sempre marcada na história criminal portuguesa.