Nuno Janeiro abre o coração sobre os filhos, a morte da irmã e o papel que o obrigou a enfrentar emoções muito dolorosas

Nuno Janeiro abre o coração sobre os filhos, a morte da irmã e o papel que o obrigou a enfrentar emoções muito dolorosas

Nuno Janeiro está a viver uma fase particularmente intensa da sua carreira. Depois de vários anos ligado à televisão e de ter passado por diferentes trabalhos antes de conquistar o reconhecimento como ator, o artista encontrou numa nova personagem um dos maiores desafios emocionais do seu percurso.

Na ficção, interpreta Bruno, uma personagem complexa, marcada por segredos, vingança, drogas, relações familiares inesperadas e uma tragédia que muda completamente o rumo da história. Mas há um elemento desta personagem que teve um impacto especial no ator: a morte de uma criança por afogamento.

Numa entrevista, Nuno Janeiro explicou que a preparação para este projeto começou muito antes das gravações. Felizmente, teve tempo para trabalhar a personagem com o diretor de atores e com os realizadores, permitindo-lhe compreender melhor a personalidade e as motivações de Bruno.

A história começa de forma particularmente intensa. Só mais tarde o público percebe que Bruno carrega uma razão profunda para estar naquela família: a vingança contra os irmãos. Pelo caminho, envolve-se numa relação com a própria sogra e torna-se pai de Vicente.

É precisamente a morte da criança que transforma a história num dos momentos mais duros da novela.

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Para Nuno, interpretar uma situação tão extrema não foi simples. Sendo pai na vida real, o ator admitiu que algumas cenas tiveram um peso emocional ainda maior.

“As gravações foram psicologicamente muito duras”, explicou, recordando momentos em que teve de chorar, gritar e procurar dentro de si emoções capazes de transmitir ao público a dimensão da tragédia.

Para conseguir interpretar uma personagem tão perturbada, Nuno recorreu também a experiências dolorosas da própria vida.

Entre essas memórias está a morte da irmã, uma perda que continua a acompanhá-lo, apesar de hoje afirmar que consegue lidar melhor com a situação.

“Com certeza que sim”, respondeu quando questionado sobre se recorre à memória da irmã para encontrar determinadas emoções.

O ator explicou, contudo, que nem sempre consegue aceder da mesma forma a essas memórias. Existe também, durante as gravações, uma espécie de distância profissional que lhe permite separar aquilo que está a viver enquanto ator da realidade da sua própria vida.

Nuno considera Bruno uma personagem particularmente difícil de definir. Apesar da morte do filho, o homem demonstra uma aparente frieza em determinados momentos, algo que pode causar estranheza no público.

Nuno Janeiro

Mas, para o ator, essa reação também faz parte da complexidade humana.

Bruno enfrenta simultaneamente a perda do filho, problemas relacionados com drogas, a relação com a sogra e o conflito com a família Sarmento. São demasiadas camadas emocionais para uma única personagem.

Nuno acredita que não existe apenas uma forma correta de viver o luto. Algumas pessoas choram durante anos, outras não conseguem derramar uma lágrima. Há quem se isole, quem grite e até quem reaja com riso perante uma situação extrema devido ao nervosismo.

É precisamente essa diversidade que torna Bruno uma personagem mais humana.

“Ninguém é totalmente bom ou totalmente mau”, explicou o ator, defendendo que cada pessoa reage à dor de acordo com aquilo que carrega dentro de si.

A experiência de interpretar a morte de uma criança teve, naturalmente, um impacto especial em Nuno enquanto pai. O ator é pai de Dinis, de apenas dois anos, fruto da relação com Rita Soares, e admite que a idade do filho torna particularmente difícil não pensar na necessidade de estar atento.

Dinis encontra-se precisamente numa fase de descoberta permanente. Quer mexer em tudo, explorar, correr e experimentar, obrigando os pais a manterem uma atenção constante.

Nuno garante que nunca foi um pai excessivamente controlador e que continua a querer que o filho tenha liberdade para brincar e descobrir o mundo. Mas existe uma diferença fundamental entre liberdade e falta de atenção.

“Deixo-o estar à vontade, mas não é à vontadinha”, explicou.

O ator revelou que gosta de ver o filho brincar, mexer-se e explorar, mas sem nunca deixar de estar atento ao que acontece à sua volta.

“Se ele se virar um segundo vou logo atrás dele”, contou, sobretudo porque Dinis está numa idade em que tudo acontece muito rapidamente.

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Apesar de reconhecer que o papel o fez refletir sobre determinados perigos, Nuno garante que esta preocupação já fazia parte da sua forma de exercer a paternidade.

“A minha relação com o Dinis é muito forte, trato dele desde que nasceu. Assumi que tinha de o fazer”, afirmou.

A ligação entre pai e filho parece ser, aliás, uma das partes mais importantes da vida do ator.

Nuno descreve Dinis como uma criança muito observadora e, acima de tudo, bastante teimosa. Uma característica que, segundo Rita Soares, terá herdado precisamente do pai.

“A minha Rita está sempre a dizer: ‘É teimoso, como o pai!’”, contou Nuno, entre risos.

Mas há outra característica do menino que surpreende o pai: a capacidade de memorizar aquilo que ouve.

Segundo Nuno, é preciso ter algum cuidado com as palavras quando estão perto de Dinis, porque o pequeno presta atenção a tudo.

“Ele ouve uma vez, não esquece e, no dia seguinte, vai dizer”, revelou.

A relação entre os dois é descrita pelo ator como quase inseparável. Nuno faz questão de estar presente no crescimento do filho e de acompanhar de perto todas as fases desta descoberta.

Enquanto na televisão interpreta um homem marcado por tragédias, segredos e comportamentos extremos, na vida real assume um papel completamente diferente: o de pai atento, presente e profundamente ligado ao filho.

É precisamente essa diferença entre ficção e realidade que tornou este trabalho tão exigente.

Para interpretar Bruno, Nuno teve de mergulhar em sentimentos como culpa, raiva, luto e desespero. Ao mesmo tempo, regressava a casa para a realidade da sua própria família, onde encontra no pequeno Dinis uma fonte de alegria e equilíbrio.

A morte da irmã também permanece como uma memória dolorosa que o ator aprendeu a carregar. Hoje consegue falar sobre ela com maior serenidade, mas admite que algumas emoções continuam difíceis de controlar.

No fundo, é essa mistura entre experiência pessoal e preparação profissional que permite a Nuno dar profundidade a uma personagem tão controversa.

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Bruno pode ser um homem difícil de compreender, mas Nuno Janeiro procura mostrar que, por trás de cada comportamento, existe uma história, uma ferida e uma forma particular de lidar com aquilo que a vida coloca no caminho.

E enquanto a personagem enfrenta uma das maiores tragédias da sua vida na ficção, Nuno encontra na realidade aquilo que considera mais importante: a família, o amor pelos filhos e a certeza de que cada momento ao lado deles deve ser vivido com atenção.

Aos olhos do público, Bruno continuará a provocar choque, dúvidas e discussões. Fora das câmaras, porém, Nuno Janeiro mostra-se sobretudo como um pai que sabe que os filhos crescem depressa e que nenhuma memória deve ser desperdiçada.