Dois irmãos, de 3 e 5 anos, encontrados a vaguear sozinhos numa estrada na zona da Comporta, em circunstâncias que chocaram a opinião pública durante o dia desta quarta-feira, já terão a sua situação familiar parcialmente esclarecida pelas autoridades.

O caso, que rapidamente ganhou destaque mediático, aconteceu na zona de Monte Novo do Sul, junto à via que liga Alcácer do Sal à Comporta, quando as duas crianças foram vistas a caminhar na berma da estrada, expostas ao sol e sem qualquer acompanhamento de um adulto.
Foi um popular que passava no local, identificado como Alexandre Quintas, quem acabou por encontrar os menores. Segundo o próprio, as crianças apresentavam sinais de fome e desorientação, tendo-lhe sido oferecida comida no momento em que foram socorridas. Ao serem questionadas, as crianças terão relatado que a mãe e o padrasto lhes tinham dito que estavam a participar num “jogo”, no qual deveriam usar vendas nos olhos para procurar um brinquedo no meio do mato.
A situação gerou de imediato preocupação e levou à intervenção das autoridades, que iniciaram diligências para identificar os responsáveis e perceber o contexto em que tudo aconteceu. Ao longo das investigações, foi confirmado que os pais biológicos são de nacionalidade francesa e estão separados.

De acordo com as informações apuradas, o pai biológico detém a guarda das crianças. Terá sido durante uma visita à mãe que os menores acabaram por ser levados numa deslocação que não terá terminado com o regresso ao domicílio paterno, o que motivou a abertura de investigação por parte das autoridades competentes.
A situação foi ainda mais complexa devido a dificuldades de comunicação, agravadas pela barreira linguística. Nesse sentido, foi necessária a ajuda de uma médica francesa residente em Lisboa, contactada através de uma amiga, que auxiliou na tradução e compreensão dos relatos feitos pelas crianças.

Entretanto, os dois irmãos encontram-se atualmente acolhidos de forma temporária, enquanto decorrem os procedimentos legais necessários para que possam ser entregues ao pai ou a outro familiar devidamente autorizado.
O caso continua sob investigação, com as autoridades a analisarem todos os detalhes para apurar com precisão as circunstâncias em que as crianças foram deixadas sozinhas e garantir a sua total segurança daqui para a frente.


