Família portuguesa luta por mais segurança nas estações suíças após morte do filho de 15 anos

Família portuguesa luta por mais segurança nas estações suíças após morte do filho de 15 anos

Uma família portuguesa residente na Suíça está a transformar a dor da perda numa luta por mais segurança nas estações ferroviárias. Sónia e Luís Rodrigues, naturais de Portugal e a viver em Féchy, no cantão de Vaud, perderam o filho mais novo, Diego, de apenas 15 anos, no passado dia 8 de abril, depois de o adolescente ter sido colhido por um comboio que atravessava a estação de Allaman a alta velocidade, sem efetuar paragem.

Portugueses - 𝐅𝐚𝐦𝐢́𝐥𝐢𝐚 𝐩𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐮𝐞𝐬𝐚 𝐥𝐮𝐭𝐚 𝐩𝐨𝐫 𝐦𝐚𝐢𝐬  𝐬𝐞𝐠𝐮𝐫𝐚𝐧𝐜̧𝐚 𝐧𝐚𝐬 𝐞𝐬𝐭𝐚𝐜̧𝐨̃𝐞𝐬 𝐬𝐮𝐢́𝐜̧𝐚𝐬 𝐚𝐩𝐨́𝐬  𝐦𝐨𝐫𝐭𝐞 𝐝𝐨 𝐟𝐢𝐥𝐡𝐨 𝐝𝐞 𝟏𝟓 𝐚𝐧𝐨𝐬 Diego Rodrigues morreu a 8 de  abril ao atravessar a linha ...

Quase dois meses depois da tragédia, a família decidiu falar publicamente sobre o que aconteceu e sobre a sensação de abandono que afirma ter sentido após a morte do jovem. Em entrevista ao jornal suíço 24 heures, os pais de Diego e o irmão mais velho, Kévin, recordaram a tarde dramática que mudou para sempre as suas vidas.

Naquele dia, Kévin encontrava-se de mota nas imediações da estação de Allaman quando ouviu sirenes. Primeiro, percebeu o alerta vindo de um comboio. Depois, chegaram os sons dos meios de socorro. Ao aproximar-se do local, reconheceu alguns amigos do irmão e compreendeu que algo muito grave tinha acontecido.

“Compreendi. Foi tão chocante que não soube reagir. Estava ali, apenas a estar ali”, contou Kévin ao jornal, descrevendo o momento de incredulidade que viveu.

Também Sónia, a mãe de Diego, recordou a chegada ao local com enorme emoção. Segundo contou, uma das primeiras perguntas feitas por um polícia foi se o filho tinha algum problema. A resposta da mãe foi imediata e firme: “Uma coisa é certa, era uma criança feliz.”

Com esta frase, Sónia fez questão de afastar qualquer suspeita de ato voluntário, sublinhando que Diego era um jovem alegre, com amigos, planos e uma vida inteira pela frente.

A família lamenta não apenas a perda brutal do adolescente, mas também a forma como diz ter sido informada sobre as circunstâncias do sucedido. De acordo com Sónia, foi através da imprensa, no dia seguinte, que tomou conhecimento das primeiras informações oficiais sobre o caso.

Depois disso, segundo o relato da família, o contacto institucional terá sido reduzido. Um polícia terá passado apenas para entregar documentos administrativos e alguns contactos telefónicos, entre eles o número do procurador responsável.

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Mais tarde, a família recebeu por escrito as primeiras conclusões da autópsia, apresentadas num breve parágrafo. Segundo essa informação, o corpo de Diego encontrava-se intacto, levantando a possibilidade de o jovem ter sido projetado pelo sopro provocado pela passagem do comboio em alta velocidade.

O advogado da família, Astyanax Peca, citado pelo 24 heures, afirmou que, de acordo com as informações obtidas junto do Ministério Público, até ao momento não terá sido realizada qualquer medida de instrução nem ouvidas testemunhas.

Foi através do relato espontâneo de uma jovem que estava com Diego naquela tarde que a família diz ter conseguido compreender melhor os instantes que antecederam a tragédia. Segundo esse testemunho, transmitido pelo jornal suíço, Diego e outros adolescentes aguardavam a chegada de amigos quando surgiu uma conversa entre dois deles sobre o que seriam capazes de fazer.

Nesse contexto, e sem que se saiba exatamente porquê, Diego terá atravessado as linhas. Para a família, tratou-se de um gesto imprudente, mas de uma criança que não teve qualquer oportunidade de corrigir o erro.

“O Diego fez uma asneira, mas era uma criança. A partir daí, não teve qualquer hipótese”, resumiu o irmão Kévin.

Foi desse sentimento de choque, perda e falta de respostas que nasceu uma nova missão para a família Rodrigues: exigir mais segurança nas estações ferroviárias suíças, sobretudo nas chamadas estações secundárias, onde comboios podem passar a velocidades muito elevadas sem parar.

A petição lançada pela família reuniu cerca de 1900 assinaturas em apenas duas semanas. O objetivo é chamar a atenção dos Caminhos-de-Ferro Federais suíços e das autoridades para os riscos existentes em estações como a de Allaman, onde, segundo a família, comboios podem passar a cerca de 140 km/h junto aos cais.

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Entre as medidas defendidas estão a instalação de barreiras de segurança, a criação de avisos sonoros mais claros quando comboios passam sem parar, maior presença de funcionários nas estações e ações de sensibilização junto dos jovens nas escolas.

Sónia Rodrigues, que trabalha numa empresa de limpezas, comparou a atenção dada à segurança noutros setores com aquilo que considera ser a falta de proteção em algumas estações ferroviárias.

“Eu tenho uma empresa de limpeza e, por segurança, mesmo sendo adultos, temos de calçar chinelos antiderrapantes para esfregar o chão. Tomam-se medidas em imensas áreas, mas em estações como Allaman, onde os comboios passam a 140 km/h, não há nada ou quase nada. É preciso falar disto”, afirmou ao 24 heures.

Para a família Rodrigues, esta luta não devolverá Diego, mas poderá evitar que outras famílias passem pela mesma dor. O objetivo é que a morte do adolescente sirva de alerta e obrigue as autoridades a olhar com maior atenção para a segurança dos passageiros, especialmente dos mais jovens.

A tragédia de Diego deixou uma comunidade em luto e uma família portuguesa marcada para sempre. Mas, no meio da dor, os pais e o irmão decidiram erguer a voz para que a memória do jovem se transforme num apelo concreto por prevenção, responsabilidade e mudança.