Condutor da carrinha que esteve envolvida na tragédia da Volta a Portugal quebra o silêncio: “Pensei que a etapa já tinha acabado”
A 87.ª edição da Volta a Portugal em Bicicleta ficou marcada por um momento trágico e inesperado durante a oitava etapa da competição, após a morte do jovem ciclista britânico Finlay Tarling, de apenas 19 anos.
O atleta da NSN Development Team perdeu a vida esta sexta-feira depois de ser atingido por uma carrinha durante o percurso da prova, num episódio que deixou profundamente abalado o mundo do ciclismo português e internacional.
Agora, o condutor da carrinha decidiu falar publicamente pela primeira vez e explicou a sua versão dos acontecimentos, revelando detalhes que, segundo afirma, ainda não tinham sido totalmente esclarecidos.
O homem, de 56 anos, contou que acreditava que o pelotão já tinha passado e que a circulação naquela zona já estaria novamente autorizada.
“Os populares disseram-me que o pelotão já tinha passado e avancei”, explicou o condutor, referindo que tinha parado anteriormente num acesso à EN306, em Arcozelo, Ponte de Lima, para assistir à passagem dos ciclistas.
Segundo relatou, antes de avançar, questionou algumas pessoas que estavam no local sobre se já poderia circular. Com base nas informações que recebeu, terá entendido que a corrida já tinha terminado naquele ponto.
No entanto, o carro-vassoura, veículo que acompanha a prova e sinaliza o final do grupo de ciclistas, ainda não tinha passado pela zona.
O condutor acabou por entrar no circuito através de uma estrada secundária que, segundo as informações divulgadas, não estava encerrada ao trânsito naquele momento.
Finlay Tarling era um dos três ciclistas que tinham ficado para trás do pelotão principal e encontrava-se numa fase mais atrasada da etapa quando ocorreu o acidente.
As primeiras informações divulgadas após a colisão indicavam que a carrinha teria realizado uma inversão de marcha em contramão. Contudo, novos dados apontam para uma dinâmica diferente do acidente.
Segundo os esclarecimentos agora conhecidos, o veículo estaria a circular na sua faixa de rodagem, enquanto o ciclista, numa zona de descida, terá feito a curva pela parte interior, ocupando a via mais à esquerda, momento em que ocorreu o embate.
O carro-vassoura da organização chegou ao local poucos segundos depois do acidente.
As autoridades continuam a investigar as circunstâncias exatas da colisão, procurando determinar todos os fatores que contribuíram para a tragédia.
Um dos elementos destacados é que aquela zona não era considerada um ponto prioritário no planeamento da etapa, pelo que não existia presença de elementos da organização naquele local específico.
A morte de Finlay Tarling provocou grande consternação entre equipas, atletas e adeptos da modalidade. O jovem ciclista britânico era considerado uma promessa do ciclismo e participava na Volta a Portugal como parte do seu percurso de evolução profissional.

O episódio abriu também um debate sobre segurança nas provas de ciclismo, nomeadamente sobre o controlo de acessos, encerramento de estradas e comunicação entre organização, forças de segurança e população durante a passagem das corridas.
Enquanto a investigação prossegue, permanece a memória de um jovem atleta que perdeu a vida enquanto fazia aquilo que mais gostava: competir numa das provas mais importantes do ciclismo português.



