Meninos franceses aterrorizados! Vivem num “turbilhão emocional” e perderam “a confiança nos adultos”, avança psicóloga

Meninos franceses aterrorizados! Vivem num “turbilhão emocional” e perderam “a confiança nos adultos”, avança psicóloga

O caso dos irmãos Barthélémy e Zacharie, de 3 e 5 anos, continua a causar grande comoção em Portugal e França. As duas crianças foram encontradas sozinhas numa zona isolada entre Alcácer do Sal e a Comporta, depois de terem sido deixadas num cenário que levantou fortes preocupações junto das autoridades e especialistas.

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Os meninos, naturais de Colmar, no leste de França, tinham viajado para Portugal acompanhados pela mãe, Marine Rousseau, de 41 anos, e pelo companheiro desta, Marc Ballabriga, de 55 anos. Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, as crianças terão sido deixadas numa zona de mato sob o pretexto de participarem numa brincadeira para procurar um brinquedo.

O episódio terminou com a intervenção de Alexandre Quintas, um padeiro que encontrou os dois irmãos desorientados e prestou os primeiros cuidados antes de alertar as autoridades. O gesto permitiu que as crianças fossem localizadas e encaminhadas para proteção.

Apesar de fisicamente encontradas em segurança, o impacto emocional da experiência é uma das maiores preocupações neste momento. À revista “Sábado”, a psicóloga clínica Melanie Tavares, do Instituto de Apoio à Criança, descreveu a situação como um acontecimento profundamente traumático para crianças tão pequenas.

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Segundo a especialista, os irmãos terão passado por momentos de medo, confusão e insegurança, numa fase da vida em que dependem totalmente dos adultos para sentirem proteção e estabilidade.

“Perderam todas as referências familiares e emocionais. Sentiram medo, angústia e ficaram completamente desorientados”, explicou Melanie Tavares.

A psicóloga alerta que as consequências emocionais podem surgir não apenas imediatamente, mas também ao longo do tempo. Entre os sinais de sofrimento que podem aparecer estão pesadelos, dificuldades em dormir, terrores noturnos, alterações de comportamento, regressões e uma maior necessidade de proximidade e segurança.

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Para crianças destas idades, a recuperação passa sobretudo pela criação de um ambiente previsível e tranquilo, onde possam voltar a sentir confiança nos adultos que as rodeiam.

“Precisam agora de muito colo, muito toque, muita presença e carinho”, afirmou a especialista, reforçando a importância do afeto e da estabilidade emocional nesta fase.

Melanie Tavares destacou ainda que uma situação deste tipo pode afetar profundamente a forma como as crianças encaram as figuras de proteção. Quando alguém que deveria garantir segurança desaparece num momento de vulnerabilidade, pode surgir uma quebra na confiança e uma sensação de insegurança.

“A figura que lhes devia dar proteção desapareceu de repente das suas vidas. Isso destrói o sentimento de segurança”, explicou.

Depois do resgate, os irmãos foram acolhidos temporariamente por uma família francesa residente em Portugal, indicada pela embaixada de França, enquanto decorrem os procedimentos necessários para definir os próximos passos.

A expectativa é que Barthélémy e Zacharie regressem em breve a França, onde deverão ficar sob acompanhamento das autoridades francesas e integrados numa nova solução de acolhimento familiar.

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O caso continua a ser acompanhado de perto pelos dois países, não apenas pelas questões legais envolvidas, mas também pela necessidade de garantir que as crianças recebem todo o apoio necessário para ultrapassar uma experiência que poderá deixar marcas profundas.

Para os especialistas, o principal desafio agora é devolver aos irmãos aquilo que perderam naquele momento: a sensação de segurança, confiança e estabilidade que todas as crianças precisam para crescer.